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Assista A Introdução

domingo, 4 de julho de 2010

A Pequena Alma e o Sol


Era uma vez, em tempo nenhum, uma
Pequena Alma que disse a Deus:
— Eu sei quem sou!

E Deus disse:
— Que bom! Quem és tu?

E a Pequena Alma gritou:
— Eu sou Luz

E Deus sorriu.
— É isso mesmo! — exclamou Deus. — Tu
és Luz!

A Pequena Alma ficou muito contente,
porque tinha descoberto aquilo que todas as
almas do Reino deveriam descobrir.

— Uauu, isto é mesmo bom! — disse a
Pequena Alma.

Mas, passado pouco tempo, saber quem
era já não lhe chegava. A pequena Alma
sentia-se agitada por dentro, e agora queria
ser quem era. Então foi ter com Deus (o que
não é má idéia para qualquer alma que queira
ser Quem Realmente É) e disse:

— Olá Deus! Agora que sei Quem
Sou, posso sê-lo?

E Deus disse:
— Quer dizer que queres ser Quem já És?


— Bem, uma coisa é saber Quem Sou, e
outra coisa é sê-lo mesmo. Quero sentir como
é ser a Luz! — respondeu a pequena Alma.

— Mas tu já és Luz — repetiu Deus,
sorrindo outra vez.

— Sim, mas quero senti-lo! — gritou a
Pequena Alma.

— Bem, acho que já era de esperar. Tu
sempre foste aventureira — disse Deus com
uma risada. Depois a sua expressão mudou.
— Há só uma coisa...

- O quê? — perguntou a Pequena Alma.

— Bem, não há nada para além da Luz.
Porque eu não criei nada para além daquilo
que tu és; por isso, não vai ser fácil
experimentares-te como Quem És, porque não
há nada que tu não sejas.

— Hã? — disse a Pequena Alma, que já
estava um pouco confusa.

— Pensa assim: tu és como uma vela ao
Sol. Estás lá sem dúvida. Tu e mais milhões,
ziliões de outras velas que constituem o Sol. E
o Sol não seria o Sol sem vocês. “Não seria um
sol sem uma das suas velas... e isso não seria
de todo o Sol, pois não brilharia tanto. E no
entanto, como podes conhecer-te como a Luz
quando estás no meio da Luz — eis a
questão”.

— Bem, tu és Deus. Pensa em alguma
coisa! — disse a Pequena Alma mais
animada.

Deus sorriu novamente.
— Já pensei. Já que não podes ver-te como
a Luz quando estás na Luz, vamos rodear-te
de escuridão — disse Deus.

— O que é a escuridão? perguntou a
Pequena Alma.

— É aquilo que tu não és — replicou Deus.

— Eu vou ter medo do escuro? —
choramingou a Pequena Alma.

— Só se o escolheres. Na verdade não há
nada de que devas ter medo, a não ser que
assim o decidas. Porque estamos a inventar
tudo. Estamos a fingir.

— Ah! — disse a Pequena Alma, sentindo-se
logo melhor.

Depois Deus explicou que, para se
experimentar o que quer que seja, tem de
aparecer exatamente o oposto.

— É uma grande dádiva, porque sem ela
não poderíamos saber como nada é — disse
Deus — Não poderíamos conhecer o Quente
sem o Frio, o Alto sem o Baixo, o Rápido sem
o Lento. Não poderíamos conhecer a
Esquerda sem a Direita, o Aqui sem o Ali, o
Agora sem o Depois. E por isso, — continuou
Deus — quando estiveres rodeada de
escuridão, não levantes o punho nem a voz
para amaldiçoar a escuridão.
“Sê antes uma Luz na escuridão, e não
fiques furiosa com ela. Então saberás Quem
Realmente És, e os outros também o saberão.
Deixa que a tua Luz brilhe tanto que todos
saibam como és especial!”

— Então posso deixar que os outros vejam
que sou especial? — perguntou a Pequena
Alma.

— Claro! — Deus riu-se. — Claro que
podes! Mas lembra-te de que “especial” não
quer dizer “melhor”! Todos são especiais, cada
qual à sua maneira! Só que muitos
esqueceram-se disso. Esses apenas vão ver
que podem ser especiais quando tu vires que
podes ser especial!

— Uau — disse a Pequena Alma,
dançando e saltando e rindo e pulando. —
Posso ser tão especial quanto quiser!

— Sim, e podes começar agora mesmo —
disse Deus, também dançando e saltando e
rindo e pulando juntamente com a Pequena
Alma — Que parte de especial é que queres
ser?

— Que parte de especial? — repetiu a
Pequena Alma. — Não estou a perceber.

— Bem, — explicou Deus — ser a Luz é
ser especial, e ser especial tem muitas partes.
É especial ser bondoso. É especial ser
delicado. É especial ser criativo. É especial ser
paciente. Conheces alguma outra maneira de
ser especial?

A Pequena Alma ficou em silêncio por um
momento.
— Conheço imensas maneiras de ser
especial! — exclamou a Pequena Alma — É
especial ser prestável. É especial ser
generoso. É especial ser simpático. É especial
ser atencioso com os outros.

— Sim! — concordou Deus — E tu podes
ser todas essas coisas, ou qualquer parte de
especial que queiras ser, em qualquer
momento. É isso que significa ser a Luz.

— Eu sei o que quero ser, eu sei o que
quero ser! — proclamou a Pequena Alma com
grande entusiasmo. — Quero ser a parte de
especial chamada “perdão”. Não é ser especial
alguém que perdoa?

— Ah, sim, isso é muito especial,
assegurou Deus à Pequena Alma.

— Está bem. É isso que eu quero ser.
Quero ser alguém que perdoa. Quero
experimentar-me assim — disse a Pequena
Alma.

— Bom, mas há uma coisa que devias
saber — disse Deus.

A Pequena Alma já começava a ficar um
bocadinho impaciente. Parecia haver sempre
alguma complicação.

— O que é? — suspirou a Pequena Alma.

— Não há ninguém a quem perdoar.

— Ninguém? A Pequena Alma nem queria
acreditar no que tinha ouvido.

— Ninguém! — repetiu Deus. Tudo o que
Eu fiz é perfeito. Não há uma única alma em
toda a Criação menos perfeita do que tu. Olha
à tua volta.

Foi então que a Pequena Alma reparou na
multidão que se tinha aproximado. Outras
almas tinham vindo de todos os lados — de
todo o Reino — porque tinham ouvido dizer
que a Pequena Alma estava a ter uma
conversa extraordinária com Deus, e todas
queriam ouvir o que eles estavam a dizer.
Olhando para todas as outras almas ali
reunidas, a Pequena Alma teve de concordar.
Nenhuma parecia menos maravilhosa, ou
menos perfeita do que ela. Eram de tal forma
maravilhosas, e a sua Luz brilhava tanto,
que a Pequena Alma mal podia olhar para
elas.

— Então, perdoar quem? — perguntou
Deus.

— Bem, isto não vai ter piada nenhuma!
— resmungou a Pequena Alma — Eu queria
experimentar-me como Aquela que Perdoa.
Queria saber como é ser essa parte de
especial.
E a Pequena Alma aprendeu o que é
sentir-se triste.

Mas, nesse instante, uma Alma Amiga
destacou-se da multidão e disse:
— Não te preocupes, Pequena Alma, eu
vou ajudar-te — disse a Alma Amiga.

— Vais? — a Pequena Alma animou-se. —
Mas o que é que tu podes fazer?

— Ora, posso dar-te alguém a quem
perdoares!

— Podes?

— Claro! — disse a Alma Amiga
alegremente. — Posso entrar na tua próxima
vida física e fazer qualquer coisa para tu
perdoares.

— Mas porquê? Porque é que farias isso?
— perguntou a Pequena Alma. — Tu, que és
um ser tão absolutamente perfeito! Tu, que
vibras a uma velocidade tão rápida a ponto de
criar uma Luz de tal forma brilhante que mal
posso olhar para ti! O que é que te levaria a
abrandar a tua vibração para uma velocidade
tal que tornasse a tua Luz brilhante numa luz
escura e baça? O que é que te levaria a ti, que
danças sobre as estrelas e te moves pelo Reino
à velocidade do pensamento, a entrar na
minha vida e a tornares-te tão pesada a ponto
de fazeres algo de mal?

— É simples — disse a Alma Amiga. —
Faço-o porque te amo.

A Pequena Alma pareceu surpreendida
com a resposta.


— Não fiques tão espantada — disse a
Alma Amiga — tu fizeste o mesmo por mim.
Não te lembras? Ah, nós já dançamos juntas,
tu e eu, muitas vezes. Dançamos ao longo das
eternidades e através de todas as épocas.
Brincamos juntas através de todo o tempo e
em muitos sítios. Só que tu não te lembras. Já
fomos ambas o Todo. Fomos o Alto e o Baixo,
a Esquerda e a Direita. Fomos o Aqui e o Ali,
o Agora e o Depois. Fomos o Masculino e o
Feminino, o Bom e o Mau — fomos ambas a
vítima e o vilão. Encontramo-nos muitas
vezes, tu e eu; cada uma trazendo à outra a
oportunidade exata e perfeita para Expressar
e Experimentar Quem Realmente Somos.

— E assim, — a Alma Amiga explicou
mais um bocadinho — eu vou entrar na tua
próxima vida física e ser a “má” desta vez.
Vou fazer alguma coisa terrível, e então tu
podes experimentar-te como Aquela Que
Perdoa.

— Mas o que é que vais fazer que seja
assim tão terrível? — perguntou a Pequena
Alma, um pouco nervosa.

— Oh, havemos de pensar nalguma coisa
— respondeu a Alma Amiga, piscando o olho.
Então a Alma Amiga pareceu ficar séria,
disse numa voz mais calma:
— Mas tens razão acerca de uma coisa,
sabes?

— Sobre o quê? — perguntou a Pequena
Alma.

— Eu vou ter de abrandar a minha
vibração e tornar-me muito pesada para fazer
esta coisa não muito boa. Vou ter de fingir ser
uma coisa muito diferente de mim. E por isso,
só te peço um favor

em troca.

— Oh, qualquer coisa, o que tu quiseres!
— exclamou a Pequena Alma, e começou a
dançar e a cantar: — Eu vou poder perdoar,
eu vou poder perdoar!
Então a Pequena Alma viu que a Alma
Amiga estava muito quieta.

— O que é? — perguntou a Pequena Alma.
— O que é que eu posso fazer por ti? És um
anjo por estares disposta a fazer isto por mim!

— Claro que esta Alma Amiga é um anjo!
— interrompeu Deus, — são todas! Lembra-te
sempre: Não te enviei senão anjos.
E então a Pequena Alma quis mais do que
nunca satisfazer o pedido da Alma Amiga.

— O que é que posso fazer por ti? —
perguntou novamente a Pequena Alma.

— No momento em que eu te atacar e
atingir, — respondeu a Alma Amiga — no
momento em que eu te fizer a pior coisa que
possas imaginar, nesse preciso momento...

— Sim? — interrompeu a Pequena Alma
— Sim?

A Alma Amiga ficou ainda mais quieta.
— Lembra-te de Quem Realmente Sou.

— Oh, não me hei-de esquecer! — gritou a
Pequena Alma — Prometo! Lembrar-me-ei
sempre de ti tal como te vejo aqui e agora.

— Que bom, — disse a Alma Amiga —
porque, sabes, eu vou estar a fingir tanto, que
eu própria me vou esquecer. E se tu não te
lembrares de mim tal como eu sou realmente,
eu posso também não me lembrar durante
muito tempo. E se eu me esquecer de Quem
Sou, tu podes esquecer-te de Quem És, e
ficaremos as duas perdidas. Então, vamos
precisar que venha outra alma para nos
lembrar às duas Quem Somos.

— Não vamos, não! — prometeu outra vez
a Pequena Alma. — Eu vou lembrar-me de ti!
E vou agradecer-te por esta dádiva — a
oportunidade que me dás de me experimentar
como Quem Eu Sou.

E assim o acordo foi feito. E a Pequena
Alma avançou para uma nova vida,
entusiasmada por ser a Luz, que era muito
especial, e entusiasmada por ser aquela parte
especial a que se chama Perdão.
E a Pequena Alma esperou ansiosamente
pela oportunidade de se experimentar como
Perdão, e por agradecer a qualquer outra
alma que o tornasse possível.
E, em todos os momentos dessa nova vida,
sempre que uma nova alma aparecia em cena,
quer essa nova alma trouxesse alegria ou
tristeza — principalmente se trouxesse tristeza
— a Pequena Alma pensava no que Deus lhe
tinha dito.
Lembra-te sempre,
— Deus aqui tinha sorrido —
não te enviei senão anjos.


Neale Donald Walsch

8 comentários:

Dayane disse...

Que história mais linda!
Eu já ouvi uma frase que diz que quanto maior é a luza de uma pessoa,tão grande quanto será a sua sombra.Estou apredndeno isso agora.

Valéria Sorohan disse...

BELO! BELO!!!!! A FOTO, tambem:BELISSIMA. Uma história emocionante. Que bom que esse blog voltou.

BeijooO

Valéria Sorohan disse...

Pesquisei a obra de Monet, The Poppy Field, realmente é bonita.

BeijooO

Samantha Beduschi Santana disse...

Belíssimo!

Abraço
Samantha

Anônimo disse...

LINDO,LINDO!
Sandro Parabéns.

Beijos

.●.※゚・.•°∴ .•☆☥Nath Gótica☥☆.●.※゚・.•°∴ .• disse...

Que história linda...um encanto!!!!
Parabéns amigo!!!!
Boa noite!!!
E obrigada pelos comentários deixados em meu cantinho!!!
Beijão

Marcia disse...

Amigos - Vinícios de Moraes

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devotoe a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabemque estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários,de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí,e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.Se todos eles morrerem, eu desabo!Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado,morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam - ou talvez nunca vão saber -que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
Abracos com carinho, e Feliz Dia do Amigo.

Marcia disse...

Amigos - Vinícios de Moraes

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devotoe a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabemque estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários,de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí,e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.Se todos eles morrerem, eu desabo!Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,compartilhando daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado,morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam - ou talvez nunca vão saber -que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
Abracos com carinho, e Feliz Dia do Amigo.